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Descobrindo a Bahia – Prado / Cumuruxatiba / Barra do Cahi / Trancoso / Itacaré / Barra Grande / Morro de SP / Salvador / Igatu / Mucugê / Lencóis
Hoje começa nossa aventura pelo “Melhor da Bahia”, partindo de São Paulo iremos descrever um roteiro cheio de praias, muito verde, pessoas interessantes e muitas estórias pra contar.


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VERSÃO PILOTO

Dia 11/12/09 – 1º dia – São Paulo / Ipatinga (MG)
Hoje começa nossa aventura pelo “Melhor da Bahia”, partindo de São Paulo iremos descrever um roteiro cheio de praias, muito verde, pessoas interessantes e muitas estórias pra contar.
Nesse primeiro dia, nosso deslocamento foi de SP a Ipatinga/MG, pela BR 381 rodando 817 km em bom asfalto até BH, depois as condições da pista pioram, muitos trechos estão em obras, e pra complicar ainda mais, as chuvas que caíram à alguns dias atrás abriram algumas crateras pelo caminho, e numa delas quase que saímos voando, bem numa curva, acabei me concentrando mais num carro que vinha fazendo uma ultrapassagem no sentido contrário e não vi o buraco, graças a Deus nossos anjos da guarda estavam de plantão, no saldo apenas uma roda amassada, menos mau.
Por isso, é recomendável rodar durante o dia, e fazer várias paradas para descanso, rodovias com pista única e de mão dupla exigem concentração redobrada.

Dia 12/12/09 – 2 º dia – Ipatinga/Prado (BA)
Em nosso segundo dia de deslocamento, partindo de Ipatinga/MG e depois de percorrer 574 km de belas paisagens, com muito sol e calor, entramos na Bahia, começamos por Prado, uma pequena cidade litorânea, que de tão simpática, resolvemos passar o resto do dia lá, dormimos num camping, ou melhor, a Débora dormiu, porque mesmo com a barraca armada debaixo de uma enorme arvore tomando uma brisa do mar na porta de entrada, não consegui dormir por causa do calor, na próxima viagem vou ter que providenciar um ar condicionado pra barraca. Mas mesmo assim valeu o sacrifício, acordei com o nascer do sol. Bom dia!

Dia 13/12/09 – 3 º dia – Prado/Cumuruxatiba (BA)
No terceiro dia partimos de Prado rumo a Arraial D’ajuda, porém, seguindo algumas dicas dos moradores da região, que são sempre muito bem vindas, pegamos 44 kms de estrada de terra e fomos para Cumuruxatiba, que de tão ruim, resolvemos ficar mais um dia, numa pousada sensacional, chamada Axé, que o proprietário é o Sr. Antônio, de 80 anos de muitas estórias pra contar, cariocabahiano gente finíssima.
Nessa praia resolvemos tirar um dia pra descansar e começar a escrever pro site e organizar as fotos. Se você curti um lugar tranquilo, com boa infra-estrutura de bares, restaurantes e pousadas, praia super calminha, sem ondas, esse é o lugar pra repor as energias.

Dia 14/12/09 – 4 º dia – Cumuruxatiba (BA)
Continuamos em Cumuruxatiba, e como hoje estou de folga, fiquem olhando as fotos, que agora vou voltar pra piscina. Até amanhã.

Dia 15/12/09 – 5 º dia – Cumuruxatiba/Barra do Cahi (BA)
De Cumuru (para os íntimos) até Barra do Cahi, são apenas 15 km, porém de pura aventura por estradas de terra e areião, que me obrigou até a baixar a calibragem dos pneus pra vencer alguns piscinões de areia, a GS provou que se fosse um carro seria um Land Rover, se fosse um avião seria um Electra (lembra dele na ponte aérea Rio/SP?). Pois é, depois de ter que abrir algumas porteiras a força e passar por umas pinguelas chegamos no fim da trilha que dá acesso a praia.
Uau, chegamos no paraíso!
Essa foi minha primeira impressão ao ver a praia de Barra do Cahi, simplesmente maravilhosa, cheia de coqueiros, areia fofa, água limpa na temperatura ideal e um rio de água doce de sobremesa. Gostamos tanto, que resolvemos passar o dia na praia e dormir na cabaninha da Fazenda Santa Rita. Puts, mas logo hoje que eu estava a fim de ficar escrevendo umas duas horas o gerador da fazenda já esta quase desligando e ficaremos sem energia, uma pena….amanhã continuo.

 Dia 16/12/09 – 6 º dia – Barra do Cahi / Trancoso (BA)
De Barra do Cahi até Trancoso, passando por Corumbau, Aldeia Pataxó, Caraiva, Itaporanga, pontes desmontando, erosões, piscinas de areia, atravessar rios sobre canoas, três tombos, enfim, eu sabia que iria ter que rodar mais de 100 km no esquema de aventura, fortes emoções, mas quando comecei a ler o texto da Débora, ai embaixo achei que tudo que eu dissesse seria redundância, sendo assim, com a palavra a Garupa…
Ah, só um detalhe, estou escrevendo esse texto debaixo de uma arvore no quadrado, em Trancoso, tomando uma caipirinha. Acho que eu mereço!

Dia 17/12/09 – 7 º dia – Trancoso/Trancoso (BA)
Sete e meia da manhã, acordei com vontade de andar de moto, fui até a garagem da pousada e pro meu espanto, quando virei a chave, uma jato de gasolina saiu
do lado esquerdo do motor, alguma coisa muito grave tinha acontecido.
Na noite anterior, alguém deve ter subido na moto e pisado num lugar indevido ou tentado roubar gasolina, conclusão: o bico de conexão da mangueira de gasolina com o injetor estava rompido e a gasolina jorrava sobre o cabeçote.
Depois de tentar várias soluções, para reparar o dano causado, ligar para São Paulo para tentar arrumar a peça, no final do dia me dei por vencido, o vazamento continuava sem solução, pelo menos em Trancoso.
Só tínhamos duas opções: Ir até uma cidade com mais recursos e tentar arrumar a peça quebrada ou, em último caso, despachar a moto de caminhão para São Paulo.
Optamos por mais uma tentativa, liguei para minha companhia de seguro, a Porto (que por sinal, fui muito bem atendido), pedindo um guincho para transportar a moto de Trancoso para Eunápolis, na primeira hora do dia seguinte. Essa noite demorou pra passar.

Dia 18/12/09 – 8 º dia -Trancoso/Eunápolis/Itabuna (BA)
Conforme o combinado às oito da manhã o guincho estava na porta da pousada e eu já estava pronto. Seguimos para Eunápolis ainda com esperança de uma solução. Na primeira tentativa, uma concessionária Honda não me deu nenhuma esperança. Logo ao lado, seguindo a indicação do próprio guincheiro, fomos pedir ajuda na Portovel, concessionária FIAT, talvez o injetor de algum modelo da marca servisse. Infelizmente nenhuma peça serviu.
Mas felizmente o gerente da oficina é o Max, nessa altura o Super-Max, que após uma analise do problema, concluiu:
-Dá pra arrumar!
Senti a primeira ponta de esperança do dia.
Fomos até uma retífica para mandar usinar a peça, enquanto isso só restava pra nós a torcida.
E depois de umas duas horas, algumas adaptações e muitas preces, chegou a hora da verdade, virar a chave e ver se toda a adaptação aquentaria a pressão da bomba de combustível.
Deu certo, nossa viagem vai prosseguir!
Graças a pessoas como o Max, que mesmo não precisando, mesmo não sendo sua especialidade nem sua bandeira, se colocou a nossa disposição e resolveu o problema.
Valeu Max, te devo essa.

Dia 19/12/09 – 9 º dia – Itabuna/Ilhéus/Itacaré (BA)
Partimos de Eunápolis rumo a Ilhéus, claro que antes fiz alguns testes pela cidade, para ver se realmente a gasolina não sairia espirrando por todo lado, principalmente porque o vazamento seria bem em cima do cabeçote e do escapamento, mas felizmente parece que o remendo ficou bom.
Resolvemos passar a noite em Itabuna, cidade onde a Débora tem parentes, que nos receberam com muito carinho, e depois de muitas cervejas, muita conversa e uma noite de sono, seguimos para Ilhéus, onde tivemos o prazer do colocar um adesivo do motoa2, ou melhor, ver o proprietário do famoso bar Vesúvio, colocar nosso adesivo, num dos bares mais famosos do Brasil, retratado pelo maior romancista brasileiro, Jorge Amado em Gabriela Cravo e Canela.
Lembram da Gabriela e Seu Nacib, do bar Vesúvio? Pois é, o próprio!
Depois de dar muitas risadas com um grupo de baianos da velha guarda que faziam um happy no Vesúvio, seguimos para Itacaré, antes porém paramos numa cachoeira para dar uma refrescada porque, graças a Deus, tá muito calor.
Obs.: Acho que nessa região o governo deveria distribuir cervejas geladas para a população gratuitamente, nesse calor é praticamente uma necessidade primária.

Dia 20/12/08 – 10 º dia – Itacaré/Itacaré (BA)
Itacaré, o paraíso dos surfistas de todas as idades, desde os pirralhos até os coroas com suas pranchas de três metros. Como preferimos praias menos badaladas e com menos muvuca, ficamos boa parte do dia na sossegada praia do Tiririca. O único problema dessa praia e que fiquei com aquela música “Clementina, Clementina, Clementina de Jesus, não sei se tu me amas, só sei que me seduz….”o dia todo na minha cabeça. Mas tudo bem, além da praia ser muito boa o Tiririca também é muito engraçado.

Dia 21/12/08 – 11 º dia – Itacaré/Maraú/Barra Grande (BA)
Partimos de Itacaré, com destino a Maraú, achei que gostaria mais do nosso próximo destino, mas não foi bem assim, então continuamos rodando por mais alguns quilômetros de estradas de terra e de areia, passando por várias praias, até chegar em Barra Grande, esse lugar sim achei muito legal, sem todo o agito de Itacaré e com toda a beleza natural típica da costa do dendê. Tanto que resolvemos passar o dia de amanhã também por aqui, aproveitaremos para fazer um passeio de lancha e conhecer várias ilhas, mas isso é assunto para amanhã.
Até lá!

Dia 22/12/08 – 12º dia – Barra Grande/Barra Grande (BA)
Hoje é dia de relax total, pra moto que vai tirar o dia pra descansar no quintal da pousada na companhia do seu novo amigo, um Pitt Bull apaixonado por ela, que bom né? E pra nós que vamos conhecer algumas ilhas por aqui. Acordar cedo já é nosso costume, e hoje podemos tomar café sem pressa, porque nosso barco só parte às dez horas.
Depois de conhecer todas as ilhas e praias e pedras furadas que a Débora vai descrever ai embaixo retornamos no final da tarde para Barra Grande e fomos esperar o por do sol. Agora como tenho que ver se acho um novo cabo para descarregar as fotos, porque o nosso esta com problemas, deixo os detalhes para a minha querida garupa.

Dia 23/12/08 – 13º dia – Barra Grande / Morro de SP (BA)
Barra Grande vai deixar saudades, até agora foi um dos lugares que mais gostei, além da beleza natural, toda a simplicidade do lugar e a receptividade das pessoas que tivemos contato. Tínhamos duas opções para seguir nossa viagem, colocar a moto num barco para atravessar até Camamu ou voltar os 50 km pelas estradas de terra e areia. Inicialmente estávamos programados a ir de barco, mas hoje cedo mudei de ideia e fomos pela terra mesmo, estou dando mais atenção ao meu sexto sentido. Depois de passar por várias pequenas cidades chegamos em Valença, aqui temos que deixar a moto num estacionamento e pegar uma lancha para Morro de SP, depois de 35 minutos desembarcamos, e pra minha sorte tinham vários carregadores de malas, porque se não eu estava perdido, carregando as malas da moto nas mão. Ficaremos dois dias por aqui, então amanhã eu falo da 1ª,2ª,3ª,4ª e 5ª praias.

Dia 24/12/08 – 14º dia – Morro de SP/Morro de SP (BA)
Morro de São Paulo, gostei bastante desse lugar também, é mais um que vai deixar saudades, as praias pequenas, de água quente e o visual deslumbrante, o centro com todas as ruas de areia, cheio de lojinhas, bares e restaurantes é bem gostoso, principalmente a noite. E pra quem gosta de um pouco de emoção tem até uma tirolesa bem alta.
Bom, mas hoje é véspera de Natal e vamos jantar num restaurante melhorzinho, a todos meu desejo de Feliz Natal.

Dia 25/12/09 – 15º dia – Morro de SP/Salvador (BA)
Esta acabando nossa fase pelas belas praias do litoral baiano, partimos de Morro de SP rumo a Salvador, antes dando uma rápida passada por Itaparica, onde por estar com um problema elétrico que apagou o farol da moto, tive que dar uma contribuição de Natal para um Policial Rodoviário. Depois de embarcar a moto no Ferry Boat Ivete Sangalo, chegamos a Salvador, a primeira grande cidade que visitaremos desde que saímos de S.Paulo, confesso que ainda não estava com saudades delas, mas de qualquer forma fomos conhecer o Farol da Barra, dar uma caminhada pela orla, que por sinal é muito bonita e depois comer uns petiscos típicos no bar Habeas Copos, muito bom. Amanhã tem mais.

Dia 26/12/09 – 16º dia – Salvador / Salvador (BA)
Hoje será o típico dia de um turista visitando Salvador, com exceção da passagem por uma oficina mecânica para arrumar o farol da moto, que inclusive começo a ter restrições quanto ao xênon, se fossem lâmpadas normais, a solução seria muito mais simples, mas isso é um assunto para ser resolvido quando estiver de volta a São Paulo. Assim que saímos da oficina fomos conhecer o Mercado Modelo, Elevador Lacerda, Pelourinho, Centro Histórico e Igreja do Bonfim, tudo muito bonito, histórico, mas com algumas restrições quanto a limpeza de alguns lugares e o mau cheiro de outros, uma pena porque o lugar é muito interessante e rico culturalmente, mas de qualquer forma vale a pena conhecer. Fora isso a cidade de Salvador é muito bonita, com belas praias de água transparente, para minha surpresa, e o tradicional bom humor e hospitalidade do povo baiano. A noite, pra quem gosta de um bom boteco, sugiro um dos que ficam na Rua Afonso Celso, bem perto do farol da Barra.

Dia 27/12/09 – 17º dia – Salvador / Igatu (BA)
De Salvador para Chapada Diamantina é bom estar bastante atento na estrada, não só pelos buracos, mas principalmente por ser pista única de mão dupla e com um grande fluxo de caminhões, principalmente na BR 116, mas a BR 242 também exige os mesmos cuidados, é comum ter que reduzir a velocidade para deixar um  motorista quem vem o sentido contrário, completar a ultrapassagem. Você só não pode contar com o auxílio do acostamento, porque ou ele não existe, ou ele tem um desnível enorme ou ele é um conjunto de crateras.
Chegamos na Chapada pela cidade de Igatu, subindo 7 km por uma estrada de pedra, que com certeza restringe o acesso de muitos, mas também garante o sossego e a preservação do lugar. Como chegamos  no final da tarde, o que pude fazer enquanto a Débora procurava uma pousada, foi ficar bebendo cerveja no bar do Seu Guina, e ficar ouvindo os comentários sobre a Bíblia e o código de barras da garrafa de cerveja, que segundo informações locais, cada risquinho representa um dono da cervejaria, os mais grossos ganham mais e os mais finos ganham menos, tudo a ver, né?
Isso é só o começo, amanhã tem mais…

Dia 28/12/09 – 18º dia – Igatu / Mucugê (BA)
Depois de dormir num quarto que reproduz o que deve ser a sensação de morar numa antiga toca de garimpeiro (o quarto foi construído ao redor de uma grande rocha), fomos tomar um café da manhã reforçado e pegar algumas dicas com a Ju e o Allan, proprietários da Pousada Flor de Açucena. É muito bom conversar com pessoas que são apaixonadas pelo que fazem. Mas como o dia seria longo, começamos nossa caminhada, seguindo os passos do nosso guia Chiquinho, que além de conhecer todas as trilhas da região, adora contar histórias. Igatu é uma cidade de pedras, em que a principal atividade por muitos anos foi o garimpo de diamantes, hoje, como em todas as cidades da Chapada, o principal produto é o turismo. Por isso, para conhecer alguns lugares de mais difícil acesso o ideal é contratar um guia local. Não sei dizer ao certo quantos quilômetros caminhamos hoje, por trilhas, pedras e riachos, mas já estou me sentindo quase um bode das montanhas, o lugar é muito bonito e com muitas histórias do sofrido tempo do garimpo. No final do dia, partimos rumo a Mucugê, 27 km por estradas de terra, pedra e asfalto, ufa! como é bom sentar na moto. A primeira impressão logo ao chegar foi surpreendente, a cidade de Mucugê é muito bonitinha. Detalhes amanhã.

Dia 29/12/09 – 19º dia – Mucugê / Mucugê (BA)
Saímos de Mucugê com destino a Ibicoara, um pouco tarde, dez horas, mas também ninguém é de ferro né?
Nosso destino de hoje é a Cachoeira do Buracão, depois de rodar 75 km de asfalto chegamos em Ibicoara e fomos na Bicho do Mato, um receptivo local, para contratar um guia que nos levaria até a cachoeira, para nossa sorte o Marcinho estava livre e tinha moto para nos guiar, menino muito massa esse Marcinho.
Depois de rodar mais 30 km por estrada de terra, pedra, areia, riacho, barro, só faltou neve, chegamos. Chegamos na entrada da trilha, onde deixamos as motos e seguimos caminhando por mais uma hora, mas todo o sacrifício vale muito a pena, o lugar é sensacional, uma cachoeira de 80 metros, que é impossível descrever a sensação quando você mergulha e vai nadando, até fazer uma curva e dar de cara com aquela gigante rodeada de rochas. Fantástico! Como saímos tarde acabamos não podendo demorar muito, mas mesmo assim voltamos à noite, o que não é muito recomendável, principalmente quando se está com um farol mambembe. O dia foi bastante cansativo, mas muito legal, se vierem a Chapada não deixem de conhecer a Cachoeira do Buracão, e levem o Marcinho junto, ele entende tudo de cobra, até achou uma jiboia no caminho.

Dia 30/12/09 – 20º dia – Mucugê / Lençóis (BA)
Partimos de Mucugê para Lençóis, mais 150 km por estradas de terra, rio, asfalto em ótimas condições e asfalto em péssimas condições, aqui na chapada tudo é muito bonito, mas nada é fácil, acho que é pra gente dar mais valor a cada lugar que chegamos. Isso vale também para o Poço Azul, que além de espetacular podemos ter a experiência de voar no poço, porque a água é tão transparente que é essa a impressão que se tem mesmo. Esse é outro lugar que vale muito a pena conhecer.
Na volta, para economizar 50 km, atravessamos um rio e seguimos para Lençóis, driblando a chuva pela estrada. Foi só chegar no hotel e ela despencou, Just in time.

Dia 31/12/09 – 21º / 22º dia – Lençóis / Lençóis (BA)
Último dia do ano, e mais uma vez estamos concluindo uma grande viagem de moto, dessa vez descobrimos boa parte da Bahia, um dos estados mais bonitos e ricos culturalmente do Brasil. Hoje ficamos na parte da manhã curtindo um pouco a cidade de lençóis e descansando também, até o dia esquentar, então fomos nos refrescar numa pequena cachoeira, almoçamos e então fomos visitar o Morro do Pai Inácio, e a chuva também foi junto, tivemos que ficar dentro de uma toca, no topo do morro, para nos abrigar da chuva, foi bom porque tivemos a oportunidade de ficar conversando com o fotógrafo especializado em Chapada Diamantina, Calil Neto, um paulista que abandonou São Paulo há 17 anos para viver em Lençóis. O visual de cima do morro é deslumbrante, claro que se o céu estivesse azul as fotos ficariam lindas, mas mesmo com nuvens o visual compensa. Amanhã iniciaremos nosso retorno, mas ainda teremos alguns lugares pelo caminho. Feliz 2010 a todos.

Dia 02/01/10 – 23º  / 24º dia – Caitité / Belo Horizonte (MG) – São Paulo
Depois de rodar 867 km de Caitité até Belo Horizonte, e no dia seguinte, mais um trecho de 587 km até São Paulo, terminamos nossa aventura por um dos estados mais bonitos do Brasil, conhecemos grande parte da Bahia, passamos por praias paradisíacas, agitadas, badaladas, desertas, famosas e desconhecidas, mas todas muito bonitas e algumas com acesso bem difícil, mas essas são as que mais valem à pena. Conhecemos também Salvador, a bela capital do estado e a imensa Chapada Diamantina, um dos lugares mais fascinantes para quem curte ecoturismo. Enfim, tudo valeu muito à pena, e quem não conhece ainda a Bahia, não sabe o que está perdendo.
Números finais da viagem:
Depois de 5.334 km rodados por estradas de péssimo, regular e bom asfalto, estradas e trilhas de terra de diversos níveis de dificuldade, trilhas de areia, estradas de pedra e até travessias de rios e riachos, depois de atravessar uma reserva indígena (Pataxós), depois de cinco tombos (inevitáveis nas trilhas), depois de um bico injetor de gasolina quebrado (por alguém que deve ter pisado ou tentado roubar gasolina), depois de uma roda amassada numa cratera na BR 381, logo no primeiro dia de viagem, depois de um problema nos faróis de xênon (tivemos que adaptar uma lâmpada comum), depois de uma chave perdida (ainda bem que tínhamos duas de reserva), depois de um paralama traseiro quebrado (não aguentou a vibração das estradas de pedra), depois de um pneu traseiro gasto, depois de encher e murchar os pneus inúmeras vezes a BMW R 1200 GS cumpriu o seu papel, mesmo levando três cases lotados e garupa, passou com louvor por todo tipo de terreno, comprovamos nessa viagem o verdadeiro espírito “Todo Terreno”. O mesmo vale para minha fiel garupa, que mais uma vez aguentou firme e nem vai precisar de reparos na volta, acho que só uma passadinha num salão de beleza, né?
Até a próxima,
se Deus quiser!
Mas como Ele é um cara legal,
Ele vai querer.


VERSÃO GARUPA

Dia 11/12/09 – 1º dia – São Paulo / Ipatinga (MG)
Esta viagem será diferente de todas as outras. Primeiro, porque não tem um roteiro. Começou assim Dia dez de dezembro decidimos que iríamos viajar. Pra onde? Não sabíamos, pois nossa idéia inicial era ir até Lençois Maranhenses. Para encurtar, os motivos principais da nossa desistência, fizemos da seguinte forma, abrimos o mapa do Brasil, fechamos os olhos e apontamos um local, pra nossa sorte caiu o estado da Bahia, então decidimos arrumar nossas malas e partir, sem roteiro, sem nenhum planejamento e com muita fé que seria uma das melhores viagens dos últimos tempos.
Partimos ás 6h30min do dia 11 de dezembro, estava ainda com muito sono, confesso que cochilei os primeiros 400km. Não me lembro de ter visto nenhuma placa, só percebi que o Zé sabiamente resolveu ir por Minas Gerais, ainda bem, pois estava chovendo muito no Rio de Janeiro. Na saída de SP o dia estava nublado, mas depois foi abrindo e o calor aumentando. A estrada até BH estava boa, com muitas curvas, mas de BH até Ipatinga estava muito ruim, com muitas obras, chegamos a ficar parados no sol por meia hora e os caminhões eram incontáveis. Quando tirei o capacete meu rosto era puro óleo
diesel. Tinham muitos buracos e eles pareciam fantasmas, quando menos se esperava estava dentro de um, e num destes entortamos a roda, agora éramos as duas contundidas: eu e a moto, ela com a roda torta e eu com o pescoço torto. Devido ao excesso de sono tivemos que parar por uma hora para que dormisse, pois era absurda a minha vontade de dormir, sem contar que eu já estava ficando com medo por causa das curvas. Em Ipatinga nos hospedamos no Hotel Bristol que fica no centro da cidade. Não tem muitas opções de hotéis pois a cidade é muito pequena e tudo distante, tudo fica muito fora de mão, então resolvemos jantar no hotel e dormir porque o dia seguinte seria longo.

Dia 12/12/09 – 2 º dia – Ipatinga/Prado (BA)
Depois de uma noite bem dormida nada como pegar as estrada. O sol raiou bem cedinho nos avisando que já estava na hora de partir. Pegamos algumas informações para saber qual era o melhor caminho e partimos. A estrada no começo era ruim e ainda com obras, as ultrapassagens me deixavam um pouco apreensiva. Ainda não tinha acertado meu odômetro com o do piloto, normal, como foi uma viagem resolvida de última hora levaria alguns dias para entrarmos em sintonia, principalmente porque esta parte de deslocamento é muito cansativa, sem momentos de descontração e sim de tensão.
Passamos por Governador Valadares, Teófilo Otoni. Paramos para almoçar no Kaladão pois pra frente não teria outro local. Seguimos para Nanuque, que por sinal tem uma estradinha muito simpática, cheia de curvas e a cada uma delas a paisagem vai mudando e revelando sua beleza. Cruzamos a fronteira, brincadeirinha!!! Passamos pela divisa de estado entre Minas e Bahia e acho que a energia desta terra fez que minha sintonia com a do piloto entrasse em acordo. Viajar de moto a2 é assim mesmo, um dia está maravilhoso e no outro pode sim acontecer um atrito. Isso tudo faz parte da viagem.
Chegamos em Prado, já na Bahia. Baixa temporada, crentes de que acharíamos uma pousada com custo baixo, ledo engano, as que pesquisamos, todas na faixa de R$150,00. Achei um absurdo. Avistamos um camping, e como trouxemos barraca, optamos por ele. Definitivamente não foi uma boa escolha. Deixou muito a desejar, principalmente no quesito banheiro. A noite foi impossível dormir devido ao calor.
Este realmente foi um programa de índio. Super cansados da correria da semana e da viagem e acabamos dormindo mal. Isso não ajuda muito na relação, precisávamos dormir bem e decidimos que no próximo destino descansaríamos.
Prado é uma cidade montada para o turismo, realmente as praias são extensas e lindas. Pra quem gosta de areia fofa e água quente é o lugar. No ano novo e no carnaval deve ficar impossível. A noite fomos jantar no “Cumida de Buteco”, muito bom por sinal.
Acordamos bem cedo e como na Bahia não tem horário de verão, foi mais cedo ainda e pra conhecer um pouco mais de Prado fizemos uma caminhada na praia e voltamos para pegar informações de como chegar em Cumuruxatiba por estrada de terra.

Dia 13/12/09 – 3 º dia – Prado/Cumuruxatiba (BA)
A estrada de terra estava até que razoável, tinha um pouco de areia que fazia a moto escorregar e alguns buracos que de vez em quando dava uns baques, ai… meu pescoço.
O dia estava super quente e debaixo das roupas estava mais ainda, não via a hora de chegar, com certeza não procuraríamos um camping e sim uma pousada, apesar que o camping de Cumuru, como eles falam por aqui, é bem legal, você pode acampar beirando um riacho. Escolhemos a pousada Axé e fomos bem recebido pelo Sr. Antônio que é o proprietário. Banho foi a primeira coisa que eu pensei, depois veio a fome e almoçamos no Restaurante Tempero da Dalva, comida boa caseira. Ufa, parece que me recuperei. Nada disso, o cansaço era tanto que tirei a tarde para dormir e recuperar minhas energias.
Cumuruxatiba é uma graça, o acesso é somente por terra, por isso ela é tão preservada. Os comerciantes não querem o asfalto para poder manter o charme da cidade. Pra vir até aqui, tem que está realmente a fim de sossego e nada de badalação. A praia não tem a areia fofa, pelo menos nesta época do ano, mas não deixa nada a desejar. Caminhar de mãos dadas pela praia é tudo de bom, duvido que você não esteja pensando nisso agora.
Por causa dos recifes a praia é super calma, ideal para crianças, sem contar que a água é morna e não dá vontade de sair dela. É possível fazer passeio de barco, não fizemos porque queríamos realmente descansar
O jantar foi no charmoso restaurante Hermes, um lugar muito agradável, também era um dos locais que aceitava cartão de crédito. Se vierem pra cá tragam dinheiro, a cidade não dispõe de agencia bancaria nem caixa eletrônico.
A noite foi extremamente agradável, nada de saudades do camping, aliás, conforto é uma coisa que não dá pra desprezar quando se viaja de moto. A barraca vai ser utilizada outras vezes com certeza, numa emergência, pois como a viagem não foi planejada, não fizemos reserva nenhuma, inclusive para o Réveillon.

Dia 14/12/09 – 4 º dia – Cumuruxatiba (BA)
Este foi o dia da preguiça. Café delicioso da manhã, caminhada pela praia pra não perder o costume. Este momento é para planejarmos o futuro, é incrível como surgem ideias.
Conhecemos o Fernando que por sinal é uma pessoa muito legal. Como viajou quase o mundo todo de veleiro, nos deu diversas dicas e até nos ensinou como operar o GPS por coordenadas. Tudo isso porque queremos fazer esta parte do roteiro  via litoral, por estrada de “chão”, uma espécie de Moto a2 adventure, passando por Barra do Cahí, Corumbau, tribos indígenas até chegar em Caraíva, nossa próxima pousada para o dia seguinte.

Tá estressado, com depressão, dor muscular ou não sabe o que fazer, taí uma dica: Viaje. Viajar é o melhor que você pode fazer pra si mesmo.
Conhecer pessoas legais, bom bate papo, olhar pra si mesmo e se redescobrir são coisas que se consegue viajando, portanto viaje, explore, idealize novos projetos, realize e aconteça. Faça e você verá que estou com a razão.

Dia 15/12/09 – 5 º dia – Cumuruxatiba/Barra do Cahi (BA)
Chega de mordomia, hora de partir. Chegou o momento moto adventure. Nosso destino seria Caraiva, mas tudo pode mudar quando não se tem um roteiro e esta é a melhor parte. Nossa intenção era ir pela praia mas como a maré estava alta resolvemos ir por uma estrada vicinal, de “chão” como se diz por aqui. Nos disseram que tinham algumas pessoas que faziam a travessia da moto por canoa, mas como nesta época do ano não tem muito movimento, resolvemos não arriscar. No começo tudo parecia flores, apesar do excesso de areia na estrada, que obrigava-nos a ir devagar, vieram situações muito mais difíceis. Nos deparamos com mata-burros (buracos com madeiras paralelas que impedem a passagem de gado) que eram impossíveis a passagem de moto. No primeiro pensamos em voltar, mas não desistimos e pegamos umas madeiras que estavam nas laterais para servir de guia. Primeira etapa vencida. Logo percebemos que o pessoal daqui não gosta de motociclistas, se assim posso chamar. É que tem um grupo de trilheiros que costuma não respeitar as regras locais, por isso eles passaram a fechar todas as porteiras com cadeados. Mas não saímos de SP para desistir destas situações. Passamos por diversas e com certeza valeu muito a pena. Agora PARA TUUUDOOO…(frase de um leitor de nosso site). Que lugar é esse, acho que “cahi”no paraíso. O nome deste lugar é Barra do Cahi. Vocês não tem noção do que é, terão agora pelas fotos que verão. Fica exatamente a 15km de Cunuruxatiba. Nossa ideia, como disse anteriormente era ir para Caraíva, mas não podia deixar de passar pelo menos um dia e uma noite neste local. Como fica dentro de uma fazenda, não é possível acampar em propriedade privada, mas para nossa sorte ali existe um camping, 02 quartos para alugar e um restaurante. Nesta época do ano eles cobram R$ 15,00 pp e os quartinhos R$ 25,00 pp. Optamos pelos quartos e deixamos a barraca para uma emergência, que com certeza usaremos mais tarde. Aqui não tem energia elétrica, contudo o proprietário do local instalou um gerador que funciona da 19h ás 21hs. Foi muito bom porque assim eu pude digitar o texto com toda a emoção e experiência de um dia maravilhoso que foi este. Acredito que Deus estava muito inspirado no minuto que ele construiu este lugar. Difícil de chegar, realmente precisa de muita habilidade em pilotar moto. Tem a possibilidade de vir de carro, com certeza não será a mesma emoção. Agora tem um detalhe, a Bahia não é um lugar barato, tem que vir prevenido. É lógico que num lugar como este, com todas as dificuldades de manutenção, seria exigir demais que as coisas fossem baratas. Pra se ter uma idéia, uma refeição tem o custo de um restaurante bom em SP, por volta de R$ 60 a 90 para duas pessoas, fora bebidas e tem os 10%. Não aceitam cartão é claro, só dinheiro. Se forem acampar aí é diferente, eles contam com um camping bem montado, com áreas arborizadas, banheiros limpos, local para lavar roupa e louça. Tudo bem simples mas muito bem cuidado. Os meninos que nos atenderam, foram muito atenciosos e explicaram como poderiamaos continuar nossa viagem o dia seguinte. Surpreendente, não imaginava que a Bahia tinha ainda um lugar tão tranquilo para se conhecer. Tudo é turismo, mas este lugar é definitivamente diferente, a paz, a tranquilidade, a natureza estão preservados.
A noite contamos com a visita de dois novos amiguinhos, a Juliana (9) e o João (6) que são moradores da fazenda e ainda por cima tivemos de lambuja melancia geladinha. Depois que o gerador foi desligado, ficou super escuro e isso nos favoreceu para fechar a noite com chave de ouro: céu estreladíssimo com direito até a estrela cadente. Com certeza vou eleger este local como um dos meus prediletos.

Dia 16/12/09 – 6 º dia – Barra do Cahi / Trancoso (BA)
Infelizmente tínhamos que partir, este lugar vai deixar saudades, mas como viajar significa avançar…
Estava apreensiva, não tínhamos mapeado no GPS as coordenadas pelo Google Earth, pegaríamos informações pelo caminho, se tivéssemos sorte. Optamos seguir viagem pelas estradas de terra e não pela praia, assim conheceríamos as fazendas da região e passaríamos por pequenos distritos. Só não imaginava o que vinha pela frente, a estrada estava pior do que a dos dias anteriores. A impressão que eu tinha é que estávamos passando sobre dunas. A quantidade de areia era imensa e não dava trégua. Vários tombos fizeram parte desta viagem, também era impossível ficar sobre a moto, muitas vezes eu tinha que descer e andar a pé, o que é pior, eu estava com toda aquela parafernália de equipamentos e o sol estava a pino.
Tivemos direito a várias emoções, inclusive a passar por uma boiada, fantástico não?
Tinha trecho do caminho que a gente perdia o rumo, como era areia não tinha trilha.
Chegamos em Corumbau, ficamos um pouco por lá, mas não houve empolgação. Soubemos que têm pousadas naquele local que chegam a R$ 1.800,00 a diária.
Chic não? Preferimos seguir rumo a Caraíva. Devido à dificuldade do caminho, pensamos em pegar um barco e atravessar o canal para Caraíva, mas conversamos com um nativo e ele nos convenceu a ir pelas tribos indígenas e que teríamos que passar por uma ponte. Disse que tinha um trecho de areia, mas não descreveu a dificuldade. Lembra dos anteriores, este era ainda pior. Mais tombos, tudo bem, já tínhamos passado por isso mesmo, agora a ponte, vocês não imaginam, ali pensei em desistir. Quando desci para tirar as fotos me deparei com uma carcaça. Respira fundo, pensa duas vezes e chega a uma questão: Será que dá para reformar? O Zé com todo seu lado engenhoso pega algumas madeiras e arruma um “jeitinho”. Não acreditei, será que esta ponte não cai? Ela estava toda podre, pulei diversas vezes para confirmar, mas acho que não ia adiantar, peso muito menos que a moto. Sucesso total, adrenalina pura, parece que não, mas se a moto caísse por ali, bye bye viagem.
Passamos pelas tribos dos índios Pataxós, que fica na reserva do Parque Nacional do Monte Pascoal, fomos muito bem recebidos, sempre nos acenavam e nos explicavam o caminho. Principalmente o Aruã Pataxó, o nosso “índio da guarda da bifurcação”. Se não fosse ele estaríamos lá até agora decidindo por qual lado seguiríamos.
Chegamos em Caraíva, iríamos pernoitar por lá, mas definitivamente não seria possível. É que nesta cidade não transitam carros e nem motos, apenas carroças. Logo no começo a moto atolou até segundo andar (veja nas fotos), precisamos de ajuda para desatolar.
Agora é que vem o pior de tudo, ou melhor, o mais emocionante. Lembra da ponte? Fichinha! Quase tive um infarto do miocárdio, tivemos que colocar a moto em uma canoa para atravessar o rio de Caraíva para Caraíva Nova e consequentemente para Trancoso. Ai, ai, ai. Ali o Zé teve muita coragem, por mim não colocaria, voltava tudo de novo. A moto ficou totalmente inclinada, a impressão que tive é que ela iria cair no rio. Eu ainda tinha que tirar as fotos, neste momento eu não sabia se rezava ou se fotografava. O Zé, que estava na canoa com a moto gritava “tira a foto se não eu te mato”. Aí minha Nossa Senhora dos canoeiros! Ufa, no final tudo deu certo.
Pensei que ali já teria asfalto, engano, tinha mais 31 km de terra, detalhe, com mais areia. Finalmente o asfalto, escolhemos seguir para Trancoso, antes paramos em Itaporanga para abastecer, não a moto, mas a gente e aproveitamos para bater um papinho com alguns nativos. Chegando em Trancoso ficamos muito surpresos, estava tudo mudado. Passamos por aqui uns 5 anos atrás e já mudou completamente. Ficamos, afinal depois de um dia inteiro de academia natural merecíamos descanso. Este é um dia que vai ficar eternamente em minha memória e que de fato esta aventura e este contato com a natureza só faz reforçar nosso relacionamento. A cada dificuldade solucionada percebia que pra tudo se tem um jeito, basta estar aberto e pronto para enfrentar. Valeu muito, mas muito a pena mesmo cada minuto.

Informações gerais:
-Todo este trajeto é feito por estradas de areia e terra e em determinados dias pode-se fazer pelo litoral, desde que a maré esteja baixa.
Se no meio do caminho desistir, há possibilidade de sair de Corumbau para Itamaraju e pegar o asfalto.
-As estradas não são totalmente sinalizadas.
-Geralmente não aceitam cartão, somente cheque ou dinheiro, detalhe, não é uma região de baixo custo.
-Em Barra do Cahi, a hospedagem é extremamente simples, outra opção é acampar. Não tem energia elétrica.
-Caixa eletrônico, somente em Trancoso.

Distâncias:
– De Prado a Cumuruxatiba – aprox.44km
– De Cumuruxatiba a Barra do Cahi – aprox. 15km
– De Barra do Cahi a Corumbau – aprox. 42km.
– De Corumbau a Aldeia Barra Velha – aprox. 20km
– De Aldeia Barra Velha a Caraíva – aprox. 10km
– De Caraíva a Itaporanga –
aprox. 23km
– De Itaporanga a Trancoso –
aprox. 14km

Dia 17/12/09 – 7 º dia – Trancoso/Trancoso (BA)
Chegou a hora de partir de Trancoso, mas não numa situação confortável. Infelizmente
algum sujeito espírito de porco quebrou a moto. Pode ter sido sem intenção, mas por alguns minutos ele poderia ter simplesmente arruinado nossa viajem. Quando vi que o Zé estava demorando para retornar e buscar as bagagens, achei que tinha acontecido alguma coisa.
Já fiquei nervosa sem saber o que era, sabe como são as mulheres. Vi que a expressão no rosto dele não era das melhores. Quando perguntei, veio a bomba. Sei que as peças desta moto não se acha em qualquer lugar, principalmente em um lugar sem recursos como Trancoso. Fui até o local, minha raiva era tão grande que todos que estavam em volta perceberam na hora. Foram diversas tentativas, das 10h da manhã até ás 17h. Depois nos demos por vencidos, já estávamos esgotados. Ligamos para o seguro e providenciamos um guincho. Nesta hora me despenquei a chorar, segurei o dia todo, mas chegou uma hora que vi todo nosso projeto ir por água a baixo. Fiquei com muita raiva daquele lugar. A princípio a proprietária da pousada não nos ajudou, mas quando ela viu que a coisa era realmente séria, se prontificou a fazer o que fosse preciso. Por ser de origem alemã isso ajudou muito, é que a peça não estava disponível em nenhum lugar do Brasil, chegaria em 20 dias. Quando fiquei sabendo disso cheguei a conclusão que era final de viagem mesmo. Ela ligou para Alemanha e providenciou a peça, mas demoraria uns 7 dias para chegar. Só nos restou ir até Eunápolis, que é a cidade com estrutura mais próxima (90km de Trancoso) e fazer novas tentativas no dia seguinte. Ficamos no Quadrado (principal parte turística histórica da cidade) durante a noite e depois fomos dormir na esperança daquela noite passar rápido.
Acabamos nem falando de Trancoso. É que este assunto realmente nos deixou atordoados, mas vou tentar passar o que percebi do local. Estive aqui a 5 anos atrás e é impressionante como este lugar cresceu, fiquei até assustada. Gosto muito de Trancoso a noite, de dia não tem o mesmo charme. Quem gosta de praia bem perto, desista, fica bem distante, mas pode descer com o carro ou com a moto. Agora em alta temporada deve ficar um inferno. Apesar dos pesares ainda gosto deste lugar.
Agora com tudo isso aprendemos muitas coisas, na hora de escolher uma pousada, terá que ser com garagem no próprio local e que deixar na rua também será com muita atenção. Se estivéssemos em São Paulo a coisa seria diferente, mas como estamos viajando isso causa um transtorno enorme.

Dia 18/12/09 – 8 º dia -Trancoso/Eunápolis/Itabuna (BA)
Finalmente chegou nossa esperança. Das duas uma, ou alguém muito prestativo nos ajudaria ou colocaríamos a moto num caminhão e viríamos embora. Felizmente existem pessoas muitos especiais e com certeza uma delas é o Max. Da hora que ele nos atendeu já dava para perceber, ele nos passou uma segurança tão grande que de imediato achei que nossa viagem prosseguiria. Só de escrever já fico emocionada. Em alguns minutos ele disse o que deveria ser feito. Passa ou não passa segurança? Fomos junto com ele numa retífica e só pela forma que ele foi recebido já percebi que realmente é uma pessoa muito querida. Um amigo dele se prontificou a fazer o serviço na hora e disse que quando ficasse pronto ligaria. Neste meio tempo ficamos na concessionária Portovel, que desde o início nos deu toda a atenção. Aproveitamos para colocar o site em ordem. De repente, ouço o motor da moto roncar, sai correndo desesperadamente para ver se tinha dado certo que nem me dei conta que tinha deixado tudo para trás. Agachei e quando vi que tinha dado tudo certo, adivinha??? Chorei de emoção. Finalmente nossa viagem seguiria. “São Max”, muito obrigada mesmo.
Seguimos para Itabuna, isso já era 14h, onde passaríamos a noite com minha família.
Estava muito feliz, imagina? tudo solucionado e ainda poder ver meus sobrinhos gorduchinhos. Itabuna fica a 205km de Eunápolis e 30km de Ilhéus, nosso próximo destino.
Moral da história: Não desista nunca e acredite, sempre há alguém pronto para te ajudar. “Ces’t la vie” e temos que confiar que nada acontece por acaso. Tudo isso me deu a oportunidade de aprender muitas coisas.

Dia 19/12/09 – 9 º dia – Itabuna/Ilhéus/Itacaré (BA)
Depois da fartura de comidas típicas como a famosa farofa “incha rabo”, sucos de frutas típicas, carne seca, cuscuz, imbuzada, pimenta, que não pode faltar no prato baiano, tudo isso preparados por Fátima e Cristiane com muito carinho e ainda por cima dormimos na suíte presidencial, pode? Isso mostra como o baiano é receptivo.
Saímos de Itabuna às 10h rumo a Ilhéus. A estrada é muito boa e tem uma paisagem linda. Estive por estes lados em 1980 e fiquei muito surpresa com o que vi. Primeiro fomos para o lado do litoral Sul, onde fica Olivença e outras praias. Tem uma música que Sá e Guarabira cantam que é assim: “O homem chega já desfaz a Natureza…” Foi exatamente o que presenciei. Toda a mata Atlântica foi desmatada para construções de condomínios, bares e pousadas. Depois de Tororomba ainda vi uma paisagem bonita, mas antes fiquei completamente decepcionada. Pra andar de moto, a estrada esta show, com muitas curvas e um asfalto novinho, dá até vontade de só ficar andando de moto.
Voltamos e resolvemos parar num complexo, que por sinal lembra muito Porto Seguro, chamado “Batuba Beach”. Grande infraestrutura, mas é somente pra quem gosta de barulho e agito, o que não é nosso caso. Resolvemos sair de lá e ir para o Bar Vesúvio,
Que faz parte do patrimônio histórico de Ilhéus, foi lá que Jorge Amado se inspirou para escrever o Romance Gabriela Cravo e Canela. Apesar de descaracterizado, o lugar é muito nostálgico. A Igreja foi ampliada e só a parede frontal do bar foi mantida. Mesmo assim o lugar é muito interessante e vale muito a pena passar por lá e comer o
bolinho de bacalhau. Não espere muito de Ilhéus, a cidade cresceu e nem faz lembrar aquela época. Agora volto a dizer, tem coisas na vida que não tem explicação. Enquanto estávamos lá tinham uns “ditos” componentes do RM (rola murcha) que estavam conversando na mesa ao lado e inevitavelmente acabamos ouvindo a conversa e sem a menor dúvida acabamos participando dela. Foi muito legal, logo descobrimos que o Guido, atual Sr. Nacib (proprietário do bar) estava presente, aí não faltaram perguntas sobre o local. Só que nesta mesa, por incrível que pareça, tinha um japonês que já se considera baiano. Residente a 8 anos no local, sabe de tudo sobre a região e já fala tão calmo como o povo daqui. Marcos é o nome dele, só que o que eu não esperava é encontrar meu antigo vizinho de porta, a uns 8 anos atrás. Incrível como este mundo é pequeno. Ele estava tão diferente que eu jamais o reconheceria, só reconheci porque começamos a conversar e papo vai, papo vem, bingo!
Conclusão: não só os lugares mudam muito, as pessoas também.
De lá seguimos para Itacaré que faz parte do litoral Norte de Ilhéus. Antes paramos em uma cachoeira que fica a 44km de Ilhéus e 22km antes de Itacaré. O lugar é muito bonito e é a primeira cachoeira de água agradável que já entrei, chama-se Cachoeira do Tijuipe. Tem restaurante com pratos que variam de R$ 40 a R$ 70,00. Se quiser andar de caiaque eles alugam por R$ 5,00 trinta minutos. Para entrar paga-se R$ 10,00pp.
Depois de um belo banho refrescante, seguimos para Serra Grande que tem um mirante e uma tirolesa. Lugar ideal para fazer foto panorâmica das praias que chegam a ter 30km de extensão. O dia estava insuportável de quente e na entrada de Serra Grande resolvemos parar e chupar uma melancia, que por sinal, se for época, não deixem de experimentar. Nada como uma boa prosa na beira da estrada, mas tínhamos que seguir.
Chegamos em Itacaré e nos hospedamos na Pousada do Lawrence, muito simples, com um custo muito bom, na minha opinião, ideal para quem quer só dormir. Pousadas é o que não faltam em Itacaré, mas nossa jornada é buscar o belo e o simples e acho que até agora conseguimos seguir nossa proposta.

Dia 20/12/08 – 10 º dia – Itacaré/Itacaré (BA)
Tem coisas que tenho aprendido aqui na Bahia: acordar bem cedo e tomar banho frio. Como o dia rende e outra coisa, a minha pele agradece. Tenho a impressão que rejuvenesci e desestressei. Gosto muito de são Paulo, mas a Bahia…
Ficamos mais um dia em Itacaré, conhecemos todas as praias urbanas. Não é muito o meu estilo, mas se tivesse que escolher, escolheria a Praia do Tiririca. É menos movimentada. Demos uma passadinha por todas elas, faltaram algumas, mas não é possível conhecer todas no mesmo dia. Tem uma que se chama prainha, nesta é necessário ir com um guia e demora uns 40 minutos numa trilha a pé. Na noite anterior, demos uma volta pela cidade, como era sábado, dia de diversão, percebemos que a separação entre as classes é gritante. Tem a ala dos turistas e a ala da população local. Não é muito diferente que em outras cidades turísticas, mas realmente, neste aspecto percebo que a Bahia não é dos baianos. Digo isso porque por todos os lugares que andei, todos são muito lindos e esta parte fica para o turismo, enquanto a população fica pelas margens. Difícil dizer que não tem lugar bonito na Bahia. O sul é o lugar mais privilegiado, mas o sertão tem também a sua história e seus interesses. Apesar da miséria, difícil é não se encantar com o que a Bahia tem pra mostrar.
Itacaré também faz parte da costa das baleias Jubarte, e de agosto a outubro você terá a oportunidade de vê-las da praia. É isso aí, a Bahia é boa todo ano.

Dia 21/12/08 – 11 º dia – Itacaré/Maraú/Barra Grande (BA)
Choveu. Depois de tantos dias de sol radiante, amanheceu nublado e caiu aquela chuva de verão. Saímos de Itacaré e fomos para Maraú por estrada de terra, de lá pegamos a rodovia para Camamu, sentido a Salvador. Antigamente tinha que dar uma volta enorme, mas agora com a construção da ponte reduziu uns 300 km até Salvador.
Foi um dia bem legal, voltamos a fazer Moto a2 off-road. A estrada é bem sinalizada e logo chegamos onde esperávamos, só que Maraú é uma cidadezinha bem pequena, pensamos que teria banco para podermos sacar dinheiro, mas isso é um detalhe importante a se lembrar, a dificuldade com caixas eletrônicos, agências bancárias nestas regiões da Bahia é muito grande. Alguns locais não aceitam cartão, tanto pousada como restaurantes, somente dinheiro ou cheque. Tem somente caixas do Banco do Brasil e Bradesco. Uma solução que encontramos foi fazer DOC para as contas das pousadas e usar o dinheiro somente quando não tinha jeito. Nos postos de combustíveis não tivemos problemas.
Este trajeto por estrada de terra fez com que conhecêssemos diversas praias do município de Maraú, como:
Praia dos Algodões – 7km
Praia Saquaíra – 11km
Taipú de fora – 30km
Praia Três Coqueiros – 35km
Praia de Barra Grande – 41km
Todas elas com infraestrutura de pousadas e restaurantes. Optamos pela de Barra Grande para nos hospedar, por ter um centro comercial e por onde sai os passeios para diversos destinos.
Jantamos no Restaurante Cavalo Marinho, comemos uma moqueca de peixe com azeite de dendê, uma delicia! O atendimento do Orlando, eleito o Garçom número 1 desta viagem, foi excelente, sem contar que ele descreveu todo o local pra gente, dando diversas dicas.
Costa das Baleias, Costa do Descobrimento, Costa do Cacau e agora Costa do Dendê, a Bahia é assim, cheia de riquezas.

Dia 22/12/08 – 12º dia – Barra Grande/Barra Grande (BA)
Barra grande é um local cheio de opções de passeios. Escolhemos fazer um de barco e conhecer as ilhas vizinhas. O mar é super tranquilo por se tratar de uma baia, assim tudo correu bem, sem enjoos. O dia estava incrível, sol total, não tão quente como das outras regiões que passamos. A impressão que tive é que por aqui o tempo é mais fresco. Além do passeio de barco há possibilidade de fazer mergulho a R$ 100,00 (batismo) e pelas informações, você tem 10 opções de lugares bons para mergulhar, desde que seja
Iniciado e o custo é R$ 150,00 a saída de barco. Mas se quiser mergulhar só para ver peixinhos, o local é Taipu de Fora, onde com a maré baixa formam piscinas de águas transparentes. Se quiser fazer passeio de bicicleta a Beach Bike planeja, opera e oferece toda infraestrutura, inclusive passeios noturnos com lua cheia. Alugar quadriciclo (R$200,00 por dia) bicicletas, moto e lancha são outras opções que sem tem por aqui. E ainda não acabou, fazer trilha, nadar em lagoas, cachoeiras e mais três locais fantásticos para se ver o por do sol. Para curtir Barra Grande o ideal é ficar no mínimo cinco dias.
Impressionante como a água do mar por estas bandas é quente, não dá nem vontade de sair. Depois do passeio de barco fomos ver o por do sol próximo ao Rio Carapitangui na barraca Encontro das Águas, acredita que o garçom servia o folgado do Zé dentro do mar. Quer mais mordomia?
Em Barra Grande as ruas são todas de areia, se quiser andar descalço o tempo todo, tudo bem. Achei muito legal, assim a gente fica o tempo todo em contato com a natureza. A ruas estão cheias de mangueiras carregadas de mangas verdes, que pena!
A pousada que escolhemos fica num ponto bem estratégico, pertinho de tudo, não tem um custo alto e oferece um ótimo serviço. Ah, já ia me esquecendo, hoje tive uma sensação muito gostosa quando andava pela areia da praia. Só percebi porque andava muito devagar, caso contrário, teria perdido esta experiência, pode parecer boba, mas pra mim foi super importante. Devido ao horário, a maré estava baixando e a espuma da água deixava furinhos na areia, o sol quente secava a parte superior e a debaixo ficava úmida, a sensação que eu tive é que estava pisando em chocolate Suflair. Viajar é isso, é descobrir novas sensações e emoções, coisas que as vezes no nosso dia a dia devido a correria deixamos de dar atenção.

Dia 23/12/08 – 13º dia – Barra Grande / Morro de SP (BA)
Ficaria mais alguns dias em Barra Grande, deixamos de fazer muitas coisas por lá e este será mais um dos motivos para gente retornar.
Gostei da decisão do Zé de voltar pela estrada de terra, adoro estas viagens que envolve off-road. Amanheceu chovendo e pra gente isso foi muito bom, porque assim a areia fica menos fofa e fica melhor para rodar. Outra opção é ir por barco até Camamu, nos informamos e eles transportam motos pelas embarcações. Precisariam de pelo menos 5 homens para colocá-la no barco devido a uma escada que tem no ancoradouro. Fica esta sugestão caso queiram transportar, mas é melhor pensar antes.
Não costumo andar sem os acessórios de moto, mas o calor por aqui é muito forte, então resolvi ir de shorts. Incrível como dá maior sensação de liberdade e ao mesmo tempo de insegurança. No meio do caminho pegamos um trecho de chuva, curto, porém o suficiente para ter a sensação de que parecia que as gotas estavam cortando a minha pele, outra coisa são as pedras que os outros carros ou mesmo a própria moto jogam sobre a gente, portanto tenho a certeza de que é melhor andar equipada.
Passamos por pequenos distritos que fazem parte da península de Camamu, todos muito parecidos. Valença foi o que mais surpreendeu, dali saem a embarcações para Morro de São Paulo e outras Ilhas, como por exemplo, a de Boipeba, que a princípio seria nosso destino. Fica a 90 minutos de lancha rápida e custa R$ 35,00 por pessoa. Resolvemos pegar a lancha que saia às 13h para Morro e pagamos R$ 14,00 por pessoa. Tem a opção de ir de barco convencional, a passagem custa R$ 6,00 por pessoa e demora 90 minutos. O catamarã também é uma das opções para chegar a ilha, mas este eu não me informei o valor. Nossa preocupação era com a moto uma vez que já tivemos problemas na viagem, mas encontramos um estacionamento que fica ao lado do cais, chamado Estacionamento do Luiz, ele nos passou a segurança que poderíamos deixar a moto sem problemas, eles funcionam 24 horas e o melhor, a moto ficou estacionada dentro de um galpão fechado com nossas jaquetas e capacetes.
Chegamos na Ilha e como os cases (malas) estavam pesados resolvemos contratar um carrinho e lógico um empurrador do carrinho junto. Eles cobram R$ 7,00 por mala grande e te levam até a Segunda Praia. Chegamos na entrada da Ilha e a prefeitura cobra uma taxa de R$ 6,50 por pessoa. De repente uma subida imensa, ainda bem que contratamos o rapaz do carrinho, além disso, as ruas são todas de areia e fica muito difícil de empurrar. Uma sugestão é deixar as malas no continente junto com a moto e só trazer o necessário em uma mochila pequena para os dias que irá passar, assim você fica com liberdade para andar a vontade e escolher a pousada que achar melhor, caso não tenha feito reserva. Não nos preocupamos com isso, pois chegamos antes do Natal e a Ilha ainda não está cheia. Anda pra lá, anda pra cá naquele sol quente, o Zé e o Rapaz doidos para me matar, mas enquanto eu não encontro um local que eu me sinta a vontade eu não desisto. As pousadas de frente pro mar variam de R$ 120,00 a
R$ 500,00, Achamos uma que fica na Primeira praia a um custo bom e pelo que percebi, num ponto estratégico. Vamos passar o Natal por aqui, então terei mais um dia pra passar a verdadeira impressão de Morro de São Paulo. Aguardem!

Dia 24/12/08 – 14º dia – Morro de SP/Morro de SP (BA)
Morro de São Paulo é como todo litoral, na orla tudo bem arrumado e a parte que fica atrás não é bem assim. Só que aqui não tem rua da frente ou de trás, e sim becos, isso mesmo, são vielas bem estreitas que dão acesso a residências e pousadas.
As Pousadas da orla são mais caras e as que ficam nas vielas são mais baratas, por volta de R$ 60,00 a R$ 80,00. Aqui as praias são divididas em Primeira, Segunda, Terceira, Quarta e Quinta Praia. Tem um centro com diversas lojinhas e restaurantes, que também não tem preços baixos. Este centro fica logo na entrada da ilha um pouco antes da Primeira praia. Pra quem gosta de agito, a Primeira e a Segunda são as ideais. O sossego fica na Terceira e Quarta praia, onde as pousadas chegam a R$ 500,00 a diária. O serviço é diferenciado com transporte a toda hora para outras praias e para o centro. Por isso optamos em ficar próximo a tudo, pois ainda está calmo neste período. Agora, o visual é fantástico, o tom da água do mar, a transparência, a temperatura nos deixam de boca aberta. Imagino este lugar sem infraestrutura, seria o paraíso. É que infelizmente onde tem muita gente os problemas aparecem, principalmente no quesito lixo. Numa parte da ilha não tem carro, tudo se faz a pé, de bike ou com pequenas carroças que só podem andar na Quarta praia. Mas o problema é que tem tratores para pegar o lixo dos restaurantes e pousadas, aí fica aquele barulho e o cheiro de óleo diesel a cada passagem. A coleta do lixo é feita na maré baixa que dependendo acontece bem cedo, por volta das 5 horas. Imagina ser acordado por este tipo de despertador? Nada agradável pra quem quer sossego total.
Não é que não gostei de Morro, é que tem coisas que não combinam com determinados locais. Mas tudo isso faz parte quando se viaja descobrindo diversos lugares, acaba existindo uma comparação, e é claro que depende do perfil de cada viajante. Infra-estrutura é bom, mas muitas vezes tira o charme.
Passamos o Natal muito tranquilo sem a agitação e os preparativos das cidades grandes. Sabe que eu curto muito não ter que me preocupar com o que fazer e nem com o que vestir. Imagina, só tem um chinelo e no máximo 3 shorts e 5 camisetas para escolher entre eles. Fácil, né?
Feliz Natal!!!

Dia 25/12/09 – 15º dia – Morro de SP/Salvador (BA)
Partimos de Morro de São Paulo, mas alguns pontos ficaram sem ser visto. Um deles foi conhecer a Ilha de Boipeba. É um passeio de um dia inteiro de barco e como tínhamos feito em Barra Grande, optamos por ficar na praia e conhecer os pontos próximos. Um dos guias nos disse que é possível fazer este passeio de 4×4 e depois pegar um barco e atravessar para Boipeba. Com certeza muitas coisas deixaram de ser vista, mas fica pra próxima.
Depois da travessia de barco para Valença, chegamos no estacionamento do Luiz, onde havíamos deixado a moto. Tudo em ordem e pé na estrada. A poucos quilômetros dali fomos parados pela polícia por causa de uma infração, não percebemos que a moto estava sem farol e com certeza resultaria em uma multa, mas como era Natal, conversamos gentilmente com o policial ele nos liberou para consertar em Salvador.
Estava um pouco apreensiva na chegada a capital, devido aos comentários nada favoráveis e por estar a muitos dias somente passando por cidades pequenas. Apesar de morar numa cidade grande sei exatamente quais as precauções que devo tomar, mas caso aconteça alguma coisa estou muito longe de casa e isso causa uma insegurança.
Nos deram a dica de se hospedar na Barra, que é um bairro muito bom aqui de Salvador e fica próximo de tudo. Aceitamos a sugestão e assim que saímos do ferry boat seguimos para o hotel indicado, mas o preço estava fora do orçamento, então resolvemos rodar ali por perto mesmo. Encontramos a Pousada Acácia, só que infelizmente ela ainda estava fechada, só abriria no dia seguinte, mas conversamos com a proprietária Denise e ela abriu uma exceção nos arrumando um quarto para dois dias.
As coisas realmente não acontecem por acaso, incrível que fomos cair exatamente na pousada de uma pessoa que além de super atenciosa e prestativa, conhecia tudo da Chapada Diamantina que será nosso próximo destino. Me senti como se estivesse em casa, afinal são muitos dias longe do lar doce lar e quando temos uma receptividade assim, logo a gente se acostuma. Caminhada pela orla e já deu pra ter impressão da boa e velha Bahia, terra onde todos se divertem independente da classe, aqui percebi que tudo se mistura e pra mim é muito interessante, pois vivo em uma cidade que descrimina e separa tudo e todos e já nas cidades que tem praia isso não ocorre de uma forma tão marcante.
Final de caminhada fomos para o bar Habeas Copos e comemos um prato chamado Arrumadinho que é feito com feijão de corda, farinha, vinagrete e carne seca frita, uma delicia! Pra saber o sabor você tem que vir até aqui experimentar, porque esta energia baiana é só aqui mesmo.

Dia 26/12/09 – 16º dia – Salvador / Salvador (BA)
Hora de acordar e passear, mas primeiro teríamos que arrumar a moto e ainda bem que é sábado e tem comércio aberto. A Denise nos indicou um amigo que fica no Rio Vermelho, Moto Shop (Rua Vasco da Gama, 649), e pediu para procurar o Sanzio, gente finíssima, nos deu toda atenção possível e resolveu nosso problema com todo profissionalismo e honestidade. Fica aí uma referencia caso tenha algum problema com a moto em Salvador.
Saímos de lá e fomos fazer realmente passeios de turista. Conhecemos o Mercado Modelo; O Pelourinho, que por sinal está muito lindo. O Elevador Lacerda, que custa R$ 0,15 para subir e o mesmo preço para descer; a Baixa do Sapateiro, que lembra muito o Brás de São Paulo (centro comercial); a Igreja do Bonfim, que tem menos degraus do que eu imaginava; o Farol de Itapuã, que não é o mesmo de 20 anos atrás e finalmente a Lagoa do Abaeté, que estava perto, mas não deu para passar.
Gostaria muito de ver o Olodum, mas eles só vão tocar no domingo as 18h e já estaremos longe. Conversei com o Antônio Carlos que é um dos coordenadores de um grupo do Olodum e realmente o trabalho deles é muito grandioso. Meninos de 7 a 21 anos têm diversas atividades artísticas e de cidadania semanalmente e não é só para garotos da região, está aberto para todos os interessados da capital. Tudo bem, vou ter motivos para voltar a Salvador um dia destes. A impressão que tive é que dá para passear tranquilo em Salvador principalmente se você se planejar, por exemplo: deixamos a moto num estacionamento próximo ao mercado Modelo (R$ 3,00 a hora) e fizemos a maioria dos passeios a pé, depois pegamos a moto fomos para o Bonfim e Farol de Itapuã. Deu tudo certo e eu recomendo que passem por aqui, que é o retrato fiel de toda Bahia.

Dia 27/12/09 – 17º dia – Salvador / Igatu (BA)
Depois de pegar mais informações com a Denise da Pousada Acácia, seguimos para Chapada Diamantina. Passamos por Feira de Santana que fica aproximadamente 100km
de distância de Salvador. A paisagem começa a mudar, o verde fica escasso dando espaço para uma vegetação mais seca e as árvores são tão pequenas que parecem bonsai.  A dica era rodar pela Estrada do Feijão que é uma rodovia mais tranquila do que a BR 116, como passamos a entrada seguimos em frente pela BR mesmo.. Realmente é uma rodovia onde todo cuidado é pouco, muitos caminhões e as ultrapassagens são perigosas, tanto que tivemos que ajudar a socorrer um acidente que teve na pista. Um carro completamente lotado de mantimentos capotou, felizmente não teve vítimas, mas toda a mercadoria ficou na rodovia. Nessas horas percebi que o curso para renovação da carteira de habilitação é importante. Como tinha feito recentemente, lembrei de todas as precauções que se deve tomar num caso deste. Outro cuidado muito importante, principalmente se está de moto, são os urubus. Como tem muito animal morto na estrada, de repente eles levantam voo, quando avistá-los, ande mais devagar.
Chegando Próxima a Chapada a vegetação começa a ficar verde novamente. Pegamos a entrada para Andaraí e Mucugê, paramos um pouco na Toca do Morcego para ver o Rio Paraguaçu. Logo um pouco a frente já começa a estrada de pedra rosada para Igatu. Um lugar que não pode deixar de ser visto. É uma cidade muito pequena, com 400 habitantes sendo 300 só de crianças. Igatu significa “águas boas” em tupi guarani e está a 803m de altitude. Lembra do banho frio que aprendi a tomar aqui na Bahia, acho que nessa região não vai se possível, devido ao friozinho que faz por aqui, mesmo no verão. Aqui tudo é de pedra, as casas, as calçadas e as ruas e é Patrimônio Nacional tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Igatu, apesar de pequenina, tem muitas pousadas, inclusive escolhemos uma muito peculiar, onde eles preservam a originalidade do lugar. Os quartos têm grandes pedras nos dando a impressão que estamos dormindo numa caverna, diferente de tudo que vimos até agora. O Alan e a Ju, proprietários da pousada, preservam o ambiente e ainda fazem um trabalho muito importante de replantio da mata nativa que por causa do garimpo foi bastante destruída. São nove anos de dedicação que começou com uma casa de férias e hoje faz parte de um projeto de vida. Atualmente eles dispõe de um carro 4×4 para realizar passeios mais distantes. Eles me indicaram um guia local chamado Chiquinho, uma figurinha. Nascido e criado na região, Raimundo Cruz dos Santos, o famoso Chiquinho além de guia, mateiro e ex-garimpeiro é um excelente contador de histórias. É uma das pessoas responsáveis pela divulgação da Chapada na região de Igatu. Conhece tudo por aqui e por outras bandas, mas percebi que o que ele gosta mesmo é de uma boa prosa. A noite fomos comer uma galinha caipira no Restaurante Água Boa, onde os pratos variam de R$ 12,00 a R$ 30,00 pra duas pessoas. Agora boa noite, e como diz aqui em Igatu, “se ela for boa te falo amanhã”.

Dia 28/12/09 – 18º dia – Igatu / Mucugê (BA)
Bom, sobre a noite, trabalhei até ás 3h da manhã no site, então foi um pouco cansativo , principalmente porque tive que acordar às 8h para fazer os passeios de Igatu junto com nosso guia contratado, Sr. Chiquinho. Café da manhã reforçado na pousada Flor de Açucena. Como tínhamos apenas um dia resolvemos fazer o entorno da cidade para conhecer um pouco de cada local. Existem muitas cachoeiras aos arredores da cidade, mas escolhemos a Cachoeira da Cadeirinha e o Poço do meio para tomarmos um banho. Pelas fotos vocês poderão observar que a água desta região tem cor da Coca Cola, isso ocorre por causa das pedras e da vegetação. Enquanto caminhávamos o Chiquinho contava a história do garimpo e mostrava todo o trabalho realizado pelos garimpeiros, inclusive nos levou para conhecer Tonho “de Anacleto”, um senhor de 77 anos de idade que pratica o garimpo artesanal até hoje. Bom conhecedor das histórias daquela época, pois vivenciou tudo de perto, história era o que não faltava. Ficaria horas conversando com ele, mas a caminhada tinha que seguir. Durante o percurso o Chiquinho, que além de Guia é Mateiro, conhece todas as plantas do Serrado. Aprendi muito sobre plantas medicinais, mas será difícil lembrar os nomes de todas elas e suas funções. Aprendi que o Leite de Mocó é excelente cicatrizante, a Batata de Teiú é indicada para picada de cascavel, o Arcaçu é muito bom pro diabetes e assim vai. Passamos na casa de Dona Lita e vimos uma rendeira de verdade, que aprendeu aos 10 anos de idade e tece até hoje. Mesmo na idade que se encontra tenta ensinar sua arte, mas acabou reclamando que a moçada de hoje não quer nada, só namorar.
Sobe, desce e acabamos chegando no cruzeiro onde avistamos um vale com as casinhas de pedra de Igatu e o rio Paraguaçu que recebe as águas de todos os menores. Saímos de lá e fomos para as ruínas, mas conhecida atualmente como a pequena Machu Picchu Baiana. São casas e tocas de pedras construídas na época do garimpo e que hoje são tombadas pelo Patrimônio Histórico. Logo ali do lado tem um museu de arte fundado pelo artista plástico Marcos Zacaríades, onde além de objetos do garimpo, expõe suas obras e também de grandes artistas nacionais e internacionais. Fora isso faz um trabalho grandioso junto a comunidade de Igatu. Infelizmente não tivemos o prazer de conhecê-lo, mas já admiro seu trabalho. Arte mesmo foi ver o Zé Carlos chupando uma manga madura do pé depois de um  dia inteiro de caminhada, a felicidade era tão grande que parecia uma criança quando ganha um brinquedo.
A Chapada é encantadora, muitas belezas pelos caminhos, mas tem que andar muito e estar bem preparado fisicamente. Calça comprida e um sapato adequado são essenciais para tornar sua caminhada mais agradável e um bom guia também, é claro. Se vier a Igatu e quiser ser guiado pelo Chiquinho é só ligar para Hospedagem Flor de Açucena e marcar. Aprendi um bocado sobre diamante, ervas, garimpo, mas o que percebi é que tudo isso passa e que a natureza mesmo devastada pelo homem vem e se recupera com força total e essa é a verdadeira riqueza.

Dia 29/12/09 – 19º dia – Mucugê / Mucugê (BA)
Mucugê é uma cidade pequena muito bonitinha, tudo nela é arrumadinha, até parece um cenário. A cidade é super limpa e tem uma infra-estrutura de pousadas e restaurantes surpreendente, inclusive nos hospedamos na Pousada Mucugê. Como a cidade é tombada pelo patrimônio, nada pode ser alterado, então a fachada da pousada é de um casarão que mantêm as características originais da época. O café da manhã é para sustentar até a hora do jantar, é uma fartura, só de falar já dá água na boca. Interessante ficar em Mucugê porque ela é ponto de saída para diversos passeios. Por ser uma cidade pequena, não é badalada, ideal para quem quer sossego.

No jantar fomos para Chapada Point, comemos uma pizza deliciosa e aproveitamos para abastecer o site.
Depois de uma noite tranquila, hora de caminhar. Fomos para a Cachoeira do Buracão. O ideal é ir até Ibicoara e contratar um guia local, mesmo que você contrate um em Mucugê, outro guia de lá irá junto. De Mucugê até a entrada do Parque são 106km e depois mais 3km de trilha a pé. Nada radical, bem fácil de caminhar. Na trilha tem mais duas cachoeiras só para ir aguçando a curiosidade. Quando chega no Buracão aí sim aparece um espetáculo de lugar. Quando você pensa que acabou, tem mais coisa pela frente. Coloca-se um colete salva-vidas, mergulha-se na piscina e nada até a cachoeira
numa água escura que mais parece coca cola. Pronto, chegou. Que lugar! É de tirar o fôlego. Uma beleza única, aliás, como tudo na Chapada. Não dá pra dizer que tem um lugar mais bonito que o outro, cada qual com sua beleza. Chegamos tarde, melhor é sair bem cedo mesmo que o tempo esteja nublado, depois ele abre e o dia fica quente, perfeito para nadar naquele lugar, até esqueci que tenho medo de água fria. É que na Chapada o clima é completamente diferente do litoral baiano. Só para ter uma idéia de custo do passeio, um casal paga R$ 60,00 se estiver de carro, mas se estiver de moto tem que levar um guia com veículo próprio e custará mais R$ 30,00. O parque cobra R$ 3,00 por pessoa.  Seria bom ficar mais dias e poder visitar a Cachoeira da Fumacinha, que pela informação do Marcinho, guia da Bicho do Mato, é muito linda, só que a trilha é nível alto, com muitas pedras e precisa de um dia inteiro. Lugar é o que não falta na Chapada, o que acaba faltando são dias para conhecer melhor este lugar maravilhoso. Só para ter uma ideia, a Chapada é dividida em três, A cordilheira Sincorá, que faz parte do ciclo do diamante; a Cordilheira do Barbado, que faz parte do ciclo do ouro e a Chapada do turismo religioso na qual faz parte uma cidade chamada Rio das Contas, que infelizmente não poderemos conhecer desta vez. Como se vê, o que não falta é lugar.  – Operadora Bicho do Mato: (77) 3413-2768

Dia 30/12/09 – 20º dia – Mucugê / Lençóis (BA)
Estou adorando andar pela Chapada, descobri que amo fazer passeios off road. Colocar a moto na terra, na água, na lama, na areia e no estacionamento da pousada quando termina o dia é simplesmente indescritível. Andar por aqui cansa muito, pois tudo na Chapada fica escondidinho. Pra ter uma ideia, hoje rodamos 60km para chegar no Poço Azul, mas antes passamos pelo Museu dos Garimpeiros e pelo Projeto Sempre Viva (planta em extinção na região) que fica em Mucugê. O Edmundo, guia do museu, deu uma aula de simpatia e conhecimento sobre lapidação e extração de diamantes na região. Viajar é só cultura, cada parada um aprendizado, não só no quesito conhecimento, mas também no auto-conhecimento. Tenho descoberto muitas coisas da minha personalidade que devido a rotina não paro para observar. Mucugê vai deixar saudades, mas vamos voltar porque ficaram muitas coisas por fazer. Voltando ao Poço Azul, gente o que é aquilo? Indescritível. Tudo que eu falar não vai ser o suficiente para expressar a sensação que aquele lugar causa. A primeira vista não dá para entender, mas depois, quando entramos na água e interagimos com o local, dá a impressão que estamos voando. Muitíssimo interessante. A única coisa que não gostei é que as pessoas que visitam não têm o mínimo de bom senso. Neste local não dá pra curtir se não fizer silêncio, com certeza não é a mesma coisa. Tivemos a oportunidade, quando as pessoas saíram, de ficar por um minuto em silencio total, aí foi incrível. Este passeio fica entre Mucugê e Lençóis, só que quem vem de Mucugê tem que atravessar um rio, que pra nossa sorte estava baixo, muitas emoções, pensei que a moto não iria passar, mas no final tudo ok. Se não quiser atravessar pode pegar a mesma estrada e seguir para Lençóis. Neste passeio é possível ir sem guia, mas tem que prestar muita atenção, porque a sinalização não é boa. O custo na entrada do Poço é R$ 10,00 por pessoa e inclui colete salva-vidas, máscara e snorkel, essenciais para apreciar o local.
Pegamos a estrada sentido a Lençóis por volta das 16h30, no horizonte vimos uma chuva que até dava medo, se ela caísse naquele momento iria ser lama pura. Chegamos em Lençóis e caiu aquele dilúvio, pra nossa sorte estávamos na recepção de um hotel. Ufa! Foi por pouco. Estamos quase no final do nosso descobrimento, sei que muita coisa vai faltar, mas amanhã vamos tentar fazer algo interessante pra levar na mochila e nos nossos sonhos.

Dia 31/12/09 – 21º / 22º dia – Lençóis / Lençóis (BA)
Dia 31 foi dia de descanso, afinal são muitos dias na estrada.
Em Lençóis não tivemos muita dificuldade para encontrar local para dormir. De 30 para 31 dormimos na Pousada A Guiar e de 31 para dia 01 encontramos na agência Marimbus um local para dormir. As outras pousadas estavam fazendo pacote, o que para nós não era interessante porque no dia seguinte seguiríamos viagem para São Paulo.
Lençóis é o point da Chapada, tudo acontece por aqui. A cidade conta com uma infraestrutura muito boa, diversas pousadas, operadores de ecoturismo e restaurantes. Conheci Lençóis a seis anos atrás e pelo que percebi a cidade cresceu muito.
Na minha opinião, a Chapada Diamantina é o lugar mais lindo e completo para se praticar o ecoturismo no Brasil. As paisagens, as águas, as cachoeiras, as grutas, as cavernas, tudo aqui encanta, só tem um detalhe, nada fica pertinho, aliás, quanto mais longe, menos movimentado e mais bonito. A dificuldade trás a recompensa. Algumas agências operam com veículo próprio ou providenciam um guia para ir no seu carro, como no nosso caso não tem esta possibilidade, sempre temos que arrumar guia com moto. Portanto, se você quer mais infraestrutura se hospede em Lençóis, mas se quer algo mais tranquilo, se hospede em Andaraí, Igatu ou Mucugê.
A maioria dos passeios, além do guia, paga-se uma taxa para manutenção da área visitada que variam de R$ 3,00 a R$ 20,00.
Quando vier a Chapada, o ideal é ir até uma operadora e conhecer os passeios disponíveis no momento, pois alguns podem ficar interditados, como é o caso do Poço Encantado que pelas informações, faz 2 anos que está fechado a visitação.
Tentamos acampar em alguns lugares, mas o clima da Bahia neste período do ano impossibilitou, o calor impede qualquer ser humano de dormir, até ventilador não dá resultado. Na Chapada a coisa muda um pouquinho, mas depois de um dia inteiro de atividade física intensa, nada como uma boa cama para descansar.
Hora de voltar, resolvemos mudar nosso caminho e passar por Ituaçu, Sussuarana, Brumado e finalmente Caitité. Não sei ainda se foi uma boa escolha. Em relação a estrada, elas estavam péssimas, alguns trechos em reforma, mas a BA 162 era lastimável. Fiquei com certo medo devido ao excesso de buracos, pensei que o pneu fosse furar, como de fato aconteceu com um rapaz que passava por lá. Em Sussuarana erramos uma entrada e tivemos que rodar 60km a mais. Tudo bem, faz parte.
Felizmente chegamos bem, o calor e a estrada ruim causou certo cansaço, até daria para rodar mais um pouco, mas se chega a conclusão de que se deve parar, então pare.
Amanhã seguiremos para BH e em breve estaremos em São Paulo, se Deus quiser.

Dia 02/01/10 – 23º dia – Caitité / Belo Horizonte (MG)
Chegamos ao final de uma grande viagem. Pode se dizer de poucos quilômetros rodados em relação a outros anos, mas com certeza de grandes experiências. Todos os momentos descritos neste site não têm nem 40% da emoção que vivemos, porque tem coisas na vida que só passando para ter noção. Quando descrevemos em palavras limitamos, é isso e pronto, e na realidade é muito mais do que foi descrito. A emoção é algo que não dá para descrever profundamente, é uma experiência única, individual e com certeza vocês vão concordar comigo. Viajar não é só passar por lugares bonitos e interessantes, pra mim é crescimento espiritual, é aprender a conviver com o próximo, com culturas diferentes, é respeitar tudo e todos, é ter opinião, é ser crítico em algumas situações, é dar valor as coisas adquiridas no passar dos anos, é desvalorizar o até então valorizado, é ver o bonito no feio, se é que existe esta classificação, é aprender a ter paciência e dar tempo ao tempo, é aprender a lidar com as emoções que nem sempre são positivas, é sentir saudades, é querer voltar pra casa e também a continuar viajando. Escreveria muito mais coisas, isso não foi nem metade do que passei nestes 24 dias. Quando viajamos vivemos intensamente todos os momentos, pois estamos fora da rotina e o mais engraçado é que às vezes sentimos falta dela. Aprendemos que na vida o hoje é o mais importante, o amanhã a Deus pertence. Amo viajar de moto, de aprender a ter um olhar artístico através da fotografia, de captar coisas e pessoas boas por este mundo a fora. Isso mesmo, o mundo está cheio de pessoas especiais e nesta viagem comprovamos isso, só cruzamos com pessoas dispostas a ajudar. Quando estamos em sintonia com o bem, nada pode nos atingir.
O Brasil é lindo com todos os seus defeitos e quem sabe não é por isso que ele é lindo e que faz todos os estrangeiros se apaixonar por ele. Por exemplo, visitamos o estado da Bahia e cada lugar que passamos vimos diversidades, agora imagina o Brasil inteiro? Somos ricos em natureza e a Bahia está aí para provar tudo que estou dizendo. Se tem uma coisa que vocês não podem deixar de fazer , é conhecer a Bahia. Espiritualize, cresça e se enriqueça de conhecimentos, afinal é isso que levamos da vida.
Um feliz 2010 para todos que amam viajar e para os que não amam também, porque depois de ver estas fotos, tenho certeza que todos vão querer descobrir a Bahia.

 
ACOMPANHE DIA-A-DIA kM RODADOS
 Dia 11/12/09 – 1º dia – São Paulo / Ipatinga (MG) 817
 Dia 12/12/09 – 2 º dia – Ipatinga/Prado (BA) 574
 Dia 13/12/09 – 3 º dia – Prado/Cumuruxatiba (BA) 44
 Dia 14/12/09 – 4 º dia – Cumuruxatiba (BA) 0
 Dia 15/12/09 – 5 º dia – Cumuruxatiba/Barra do Cahi (BA) 15
 Dia 16/12/09 – 6 º dia – Barra do Cahi / Trancoso (BA) 119
 Dia 17/12/09 – 7 º dia – Trancoso/Trancoso (BA) 0
 Dia 18/12/09 – 8 º dia -Trancoso/Eunápolis/Itabuna (BA) 295
 Dia 19/12/09 – 9 º dia – Itabuna/Ilhéus/Itacaré (BA) 210
 Dia 20/12/08 – 10 º dia – Itacaré/Itacaré (BA) 0
 Dia 21/12/08 – 11 º dia – Itacaré/Maraú/Barra Grande (BA) 80
 Dia 22/12/08 – 12º dia – Barra Grande/Barra Grande (BA) 0
 Dia 23/12/08 – 13º dia – Barra Grande / Morro de SP (BA) 180
 Dia 24/12/08 – 14º dia – Morro de SP/Morro de SP (BA) 0
 Dia 25/12/09 – 15º dia – Morro de SP/Salvador (BA) 120
 Dia 26/12/09 – 16º dia – Salvador / Salvador (BA) 0
 Dia 27/12/09 – 17º dia – Salvador / Igatu (BA) 439
 Dia 28/12/09 – 18º dia – Igatu / Mucugê (BA) 27
 Dia 29/12/09 – 19º dia – Mucugê / Mucugê (BA) 212
 Dia 30/12/09 – 20º dia – Mucugê / Lençóis (BA) 150
 Dia 31/12/09 – 21º dia – Lençóis / Lençóis (BA) 54
 Dia 01/01/10 – 22º dia – Lençóis / Caitité (BA) 544
 Dia 02/01/10 – 23º dia – Caitité / Belo Horizonte (MG) 867
 Dia 03/01/10 – 24º dia – Belo Horizonte/São Paulo (SP) 587
 Total Km 5.334
Quilômetros Rodados 5.34 Km
Despesa Combustível R$2.000,00
Despesa Alimentos R$ 1200,00
Despesa Hospedagem R$ 2.400,00
Hospedagens

Hotel Bristol – Ipatinga

Pousada Axé – Cumuruxatiba

Fazenda Sta. Rita – Barra do Cahi

Posada Bom Astral – Trancoso / no Quadrado

Pousada Lawrence’s Surf House – Itacaré

Pousada da Barra – Barra Grande

Pousada Ilha das Flores – Morro de São Paulo

Pousada Acácia – (71) 3264-4113 – Salvador –  http://www.pousadaacacia.com.br/

Pousada Flor de Açucena (75) 3335-700 Igatu – http://www.pousadaflordeacucena.com/

(Pousada Mucugê) (75) 3338-2210 – Mucugê  http://www.pousadamucuge.com.br

Pousada A Guiar – Lençóis

Chalé Diana – Agência Marimbus * 31/12/09 – Lençóis

Hotel Caitité * 01/01/10 – Caitité

Hotel Ibis – BH